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Teoria dos Jogos

Quem viu o filme "Uma Mente Brilhante" deve se lembrar como John Nash, o protagonista (Russell Crowe), ganhou um prêmio Nobel por sua contribuição à Teoria dos Jogos. É baseado num fato real.

A Teoria dos Jogos procura encontrar padrões corriqueiros de competição e cooperação para resolver complexos modelos econômicos, estratégicos, entre vários. Existe na antropologia um fato que chama a atenção: em todas as culturas conhecidas, as crianças brincam de esconde-esconde. Mesmo em culturas que nunca tiveram contato entre si, desde antigas tribos isoladas na África até grandes zonas urbanas.

Estratégia de vida

Alguns teóricos da Teoria dos Jogos consideram o esconde-esconde a mais embrionária forma, de onde podem-se derivar quase todas as interações humanas. Quando as crianças crescem, suas vidas tornam-se mais complexas. O esconde-esconde fica mais complexo também.

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Nietzsche disse: "o homem necessita de máscaras, senão está fadado a morrer. É como uma fruta sem sua casca, ou uma rosa sem seus espinhos."

Carl Jung usou o termo persona para designar as máscaras que usamos nestas interações pessoais.

Às vezes usamos máscaras para atrair atenção. Outras vezes, usamos para afastar. É como numa dança - há momentos para se distanciar e momentos para se aproximar. Casais paquerando podem usar um padrão onde um parceiro sugere e o outro faz a abordagem.

Jogar, sinônimo de viver?

E em escala ampla, toda a humanidade faz parte deste enorme jogo de interações - muitas vezes imperceptíveis. A política, as guerras e a economia global são casos típicos de interações cujas proporções fogem aos olhos medianos. E raramente sabem-se sequer as causas e conseqüências do que se passa. Guerras possuem um padrão bem básico de defesa e ataque, assim como no futebol ou numa luta de boxe.

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A maioria de nós sente-se jogada de um lado para outro, sem saber como sair dessa roda viva.

Os indianos usam o termo "lila" ( jogo, binquedo) para mostrar como o mundo funciona de forma tão absurda que seria ridículo levá-lo muito a sério.

Mas e se o jogo vai mal?

No clássico indiano Bhagavad Gita, Krishna é um deus que parece com uma criança tocando sua flauta em meio a uma monstruosa guerra - o Mahabharata - indiferente aos tormentos da vida e da morte:

Não importa muito, vamos nascer, morrer, nascer, morrer... então, brinquemos bem!

Sobre o autor:

André Whittick Nasser é Bacharel em Computação pela Universidade Federal Fluminense e tradutor. André é praticante de Zen-budismo e Dakshina Tantra-Ioga. Dedica-se também ao estudo da cultura chinesa, psicanálise, antropologia, lingüística e teoria dos jogos.

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